quinta-feira, 27 de setembro de 2012

POLÍTICA: Sábado há manif!


Em Madrid e em Atenas as ruas voltam a encher-se de manifestantes suficientemente decididos a contestarem as políticas de austeridade dos seus governos para enfrentarem corajosamente a brutalidade policial.
E, na edição de hoje do «Diário de Notícias», o escritor Baptista Bastos acredita que os acontecimentos dos últimos dias desfizeram o mito da passividade coletiva dos portugueses.
Eles compreenderam que a personalidade de Pedro Passos Coelho funciona na base de registos nunca garantidos pelas ciências sociais e, até, negados pela História recente. O ultraneoliberalismo de que se faz eco encaminha-nos para uma situação irremediável.
É para a evitar que, na edição online do «Expresso», Daniel Oliveira propõe um caminho alternativo não isento de sacrifícios, mas em que a luz ao fundo do túnel poderá deixa de ser a de um comboio a vir em sentido contrário.
A sua proposta acaba por não diferir muito do proposto há uns meses pelo deputado socialista Pedro Nuno Santos: tratar a troika e os credores não como nossos amigos a quem devemos tratar com a máxima deferência, mas como representantes de interesses com que devemos negociar uma saída diferente para a crise. Imitando o exemplo islandês, que tem suscitado tão bons resultados positivos num quadro de emergência igualmente complicado.
Escreve Daniel Oliveira: Os mercados financiam quem cresce. Não financiam alunos bem comportados que definham. Dirão: caloteiros não conseguem crédito. Mas não é evidente que só crescendo poderemos evitar o calote?
Torna-se evidente - e é já Manuela Ferreira Leite quem o reconhece - que por este caminho só teremos a certeza do abismo. Que é aquele para onde Passos Coelho nos quer teimosamente precipitar.
É por isso que, a exemplo de gregos e espanhóis, devemos encher as ruas das nossas cidades em todas as oportunidades possíveis, à medida que vão sendo convocados novos protestos. E no blogue «Arrastão», o Miguel Cardina encontrou uma forma inteligente - e metafórica! - para replicar esse mesmo apelo. Com a devida vénia transcrevo-o na íntegra:
Uma das palavras do momento é "devolver". Por exemplo: o governo pretende "devolver" um dos subsídios aos trabalhadores do público. Vejamos as coisas com uma metáfora (parece que andam eficazes). Pedro assaltou-lhe o quintal e roubou duas laranjas. Você barafustou mas Pedro tem as costas quentes. Entretanto, houve quem levasse as coisas a um juiz, que admoestou o gatuno: "desta vez passa mas não volte a fazer o mesmo". Apanhado agora em cima do muro a tentar furtar uma laranja, Pedro esclarece: "não, não estou a roubar uma laranja. Estou a "devolver" a outra que ficou por roubar!". Ao mesmo tempo, claro, que prepara o assalto aos quintais do lado. Sábado há manif.

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