sábado, 8 de fevereiro de 2014

POLÍTICA: a memória curta de uns vs. a realidade dos factos

Continua a existir uma grande cortina de silêncio em torno de todas as notícias favoráveis ao governo anterior. Apareça uma notícia de jornal com elogios de algum anónimo professor ou analista internacional ao (des)governo de passos coelho e é noticia certa de abertura de telejornal. Pelo contrário se há quem se pronuncie em sentido contrário logo a notícia é calada não vá quem manda zangar-se com quem a divulga.
Vem isto a propósito da entrevista ontem inserida no «Público» a um dos deputados europeus, que andou a investigar o comportamento da troika nos países condenados a terem-na de a suportar.
Ora Liem Hoang Ngoc não é meigo para com paulo portas ou maria luís albuquerque, que foram seus interlocutores nessa deslocação oficial do Parlamento Europeu a Lisboa. Desqualificados como “bons alunos da troika” ter-se-ão revelado ainda mais troikistas do que ela, ao contrário do que aquele deputado europeu constatou na Grécia, na Irlanda ou no Chipre, cujos governos foram pródigos em críticas aos “amigos” em causa.
Mas Liem Hoang Ngoc reforça a ideia de um memorando, que não foi apenas negociado pelo governo de José Sócrates, mas também pelo PSD através de eduardo catroga, cuja passagem para a EDP depois da privatização configura um exemplo de “conflito de interesses” que, quer ele, quer passos coelho, não tiveram qualquer escrúpulo em violar. Algo que faz muita confusão a este entrevistado.
Ele ainda lembra como catroga fez tudo para endurecer o memorando com o apoio de Durão Barroso na Comissão. (…) Houve pessoas que ensaboaram a tábua antes das eleições. (…) Barroso e a Comissão modificaram os critérios de cálculo da dívida portuguesa em 2011, o que resultou num défice maior, que levou à imposição de medidas de austeridade negociadas no memorando mais duras do que as que ele [José Sócrates] queria.
Ora, numa semana em que, quer na Assembleia, quer depois a ministra da justiça, vêm atribuir ao Partido Socialista a responsabilidade pelo conteúdo do Memorando da troika como se nada tivessem a ver com o assunto, é, no mínimo, elucidativo, que os meios de comunicação não deem importância ao depoimento de um deputado europeu, que não esquece o papel de catroga e de durão barroso no agravamento das condições estabelecidas para o resgate de 2011.


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