sábado, 14 de junho de 2014

Por onde páram os sonhos dos miúdos das favelas?

A propósito do Campeonato do Mundo de Futebol uma equipa de reportagem do canal franco-alemão ARTE voltou ao Rio de Janeiro em busca de três miúdos, que se tinham então distinguido no campeonato das favelas.
Nessa altura nenhum deles duvidava que, quando chegasse esta altura, estariam presentes em campo a envergar a camisola do Brasil. E que teriam deixado para trás esse quotidiano de pobreza vivido nos bairros mais pobres da Cidade Maravilhosa.
Gil, João e Douglas teriam agora 21 anos, mas nem todos estão vivos e nenhum deles está entre os escolhidos de Scolari: o primeiro deixou-se tentar pelos narcotraficantes e pelo dinheiro fácil acabando morto num confronto com a polícia. O segundo engravidou a namorada ainda adolescente e ganha a vida como empregado num supermercado para conseguir pagar-lhes as contas mais básicas.
Só Douglas chegou ao futebol profissional durante alguns meses. Mas a ilusão esfumou-se quando teve uma lesão séria num dos joelhos. Agora, demasiado pesado, vai deprimindo, ciente de ter perdido definitivamente o fio dos seus sonhos…
Nenhum deles conseguiu, pois, libertar-se das amarras da sua condição de pobreza e de violência. É que a reportagem ainda mostra outro dos entrevistados da reportagem de 2006, também ele vítima do clima ali dominante: o treinador adjunto da equipa, a quem um antigo pupilo matou a tiro por nele ver o “inimigo”, que se esforçava diariamente por afastar dos caminhos da droga os miúdos como ele fora, e com quem falhara em tal objetivo...


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